O MaisLeituras é um Blogue criado pela equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, no âmbito do projeto Novas Oportunidades a Ler+, para que os adultos que frequentam o CNO se sintam motivados a aprofundarem o seu gosto pela leitura e a descobrirem o prazer de ler.

8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher: o outro lado!

O MaisLeituras propõe-lhe a seguir que dedique alguns minutos do seu tempo a ler sobre uma realidade que todos conhecemos e muitos de nós "ignoram". O texto que se segue aponta factos e realidades chocantes, a que não podemos ficar insensíveis.
Ler também é isto: olhar criticamente o mundo que nos rodeia. O texto é longo, mas a mensagem não pode ser ignorada. Jamais.
No dia oito de Março, comemora-se o dia Internacional da Mulher. Na esperança desta data não ser esquecida, escrevo este artigo, tendo como principal objectivo interpelar toda a comunidade educativa e a sociedade em geral, para uma reflexão sobre a temática da violência contra a mulher. Esta é uma realidade conhecida por todos, mas quase sempre envolta em neblina e indiferença. A violência sobre a mulher é na nossa sociedade um tema difícil que nos remete para conceitos como sofrimento, impotência, dor psicológica, desfragmentação, vergonha.
Esta data está mundialmente associada às reivindicações femininas por melhores condições de trabalho, justiça e igualdade social. Embora não seja uma versão consensual, a criação do Dia Internacional da Mulher, está associado a um episódio trágico marcado por uma histórica repressão sobre as mulheres.
Em 1857, 129 tecelãs de Nova Iorque foram mortas dentro da fábrica onde trabalhavam, porque organizaram uma greve para obterem melhores condições de trabalho. No dia oito de Março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas e atearam fogo, matando as operárias que apenas queriam melhores condições para exercerem as suas funções. Foi a primeira greve, alguma vez, organizada por mulheres. Este trágico episódio teve apenas, como efeito positivo, uma maior sensibilização da sociedade para este tipo de repressão sobre mulheres, surgindo em 1910 a ideia de criar uma data para marcar as questões femininas e lembrar a morte destas operárias. Em 1911, mais de um milhão de mulheres manifestaram-se na Europa e a data passou a ser comemorada no mundo inteiro.
Os dados estatísticos falam por si. Em Portugal morrem, em cada ano, cerca de 40 mulheres vítimas de algum tipo de violência exercida contra elas. Os agressores estão bem identificados: maridos, ex-maridos e namorados. Sim, namorados. A violência começa, muitas vezes, no namoro e todos temos que estar atentos aos primeiros sinais.
Segundo dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), há, por ano, cerca de 14000 crimes de violência no seio da família e 91% das vítimas são mulheres. A grande maioria (60.4%) dos maus-tratos são físicos, mas também podem ser psíquicos, ameaças, difamação, subtracção de menor, violação de obrigação de alimentos, violação ou abuso sexual…
A violência contra mulheres não é um problema das mulheres: é um problema dos homens, é um problema de toda a sociedade. É um tipo de violação dos direitos humanos e todos os Estados são responsáveis. Temos a obrigação moral de denunciar os casos que conhecemos. Violência contra mulheres é em Portugal um crime público, não podemos ser cúmplices!

Carla Rodrigues
Formadora de Cidadania e Profissionalidade
CNO da Escola Secundária Camilo Castelo Branco

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