O escritor peruano Mario Vargas Llosa é o Prémio Nobel da Literatura de 2010, foi anunciado hoje em Estocolmo pela Academia Sueca.
“Muito comovido e entusiasmado.” Assim se sentiu Vargas Llosa ao saber que era seu o Nobel da Literatura deste ano. Foram as primeiras declarações do escritor, feitas à agência de notícias peruana Andina e citadas pela Lusa.
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O peruano, de 74 anos, foi distinguido "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos", justifica a Academia em comunicado divulgado poucos minutos após o anúncio do Nobel.
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A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa é “um grande incentivo” a todos os que se preocupam com os países onde não há democracia ou a liberdade está ameaçada”, disse o filho do escritor, Alvaro Vargas Llosa.
Uma brincadeira?
Entrevistado pelo canal de televisão argentino C5N, o também escritor afirmou que o seu pai pensava que era uma brincadeira quando soube que tinha sido distinguido pela Academia Sueca. Mario Vargas Llosa, de 74 anos, “ficou na dúvida até ao último momento, quando fizeram o anúncio oficial”, disse o filho. Recordou ainda que “há muitos anos”, alguém se fez passar por um membro da academia e anunciou ao seu pai que tinha ganho o Nobel da Literatura.
“Nunca mais teremos que responder à maldita pergunta porque é que não deram o Nobel da Literatura a Vargas Llosa”, comentou. De acordo com a agência de notícias France Press, o laureado dará uma conferência de imprensa hoje à tarde no Instituto Cervantes de Nova Iorque.
Mario Vargas Llosa recebe o 103.º Prémio Nobel da Literatura, atribuído pela primeira vez em 1901. É o 11.º autor de língua espanhola a receber a distinção, depois de laureados como Camilo Jose Cela (1989), Gabriel Garcia Marquez (1982), Pablo Neruda (1971) ou Gabriela Mistral (1945). O autor de língua espanhola que mais recentemente venceu o Nobel literário foi o mexicano Octavio Paz, em 1990.
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Em 1959 publica a sua primeira obra, um conjunto de novelas intitulado “Les caïds”, mas seria quatro anos depois, com a edição de “A cidade e os cães”, que o seu nome ficaria conhecido no mundo literário.
Em 1966, a notoriedade de Llosa confirma-se com o lançamento de “A casa verde”. Seguem-se outras obras como “Conversa na catedral”, “Pantaleão e as visitadoras”, “A tia Júlia e o escrevedor”, “A guerra do fim do mundo”, entre outras.
Além dos ensaios, romances, novelas e teatro traduzidos em todo o mundo, o escritor é ainda conhecido pelas posições políticas que assumiu, nomeadamente na revolução cubana, tendo mesmo deixado Espanha e vivido em Havana. Mas em 1971 Llosa vira costas à revolução castrista e aos movimentos de extrema-esquerda, justificando-o com a oposição à existência de um “líder máximo”. Regressa de novo a Espanha, onde em 1993 consegue a dupla nacionalidade. O escritor, que havia sido distinguido em 1986 com o Prémio Príncipe das Astúrias, venceu no ano seguinte o Prémio Cervantes.
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