O MaisLeituras é um Blogue criado pela equipa do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, no âmbito do projeto Novas Oportunidades a Ler+, para que os adultos que frequentam o CNO se sintam motivados a aprofundarem o seu gosto pela leitura e a descobrirem o prazer de ler.

25 de fevereiro de 2010

...pic-nic de burguesas...

Aniversário do nascimento de Cesário Verde

O pintor nascido poeta.

José Joaquim CESÁRIO VERDE nasceu em Lisboa, a 25 de Fevereiro de 1855 e morreu a 19 de Julho de 1886, vítima de tuberculose.
O pai era um abastado comerciante de Lisboa, e ao mesmo tempo dedicava-se à agricultura, numa quinta em Linda-a-Pastora. Assim, a história da vida do poeta resume-se nos carrinhos percorridos entre Lisboa e Linda-a-Pastora, são esses percursos e essas gentes observadas que toda a sua obra retrata.
A poesia de Cesário distingue-se pela sua linguagem pictórica e realista, plena de imagens extremamente visuais, ao ponto de ser considerado um pintor, e ele próprio afirmando "Pinto quadros por letras, por sinais.".
Silva Pinto, seu amigo, compila, após a sua morte, as produções dispersas em diversos círculos jornalísticos e publica, em Abril de 1887, "O livro de Cesário Verde".

Cesário Verde
                                                                      
Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos ...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema III"
Heterónimo de Fernando Pessoa

19 de fevereiro de 2010

Desvendar os olhos...

La liseuse (A leitora) - Renoir (1841 - 1919)

Uma interessantíssima obra do pintor impressionista francês que retrata a leitura como um acto solitário. Mas será bem assim?
Quanto mais interações se travarem, nas palavras de Borges, tanto mais haverá possibilidade de se ampliarem as possibilidades de atribuir sentido à leitura. É o leitor que tem a capacidade de fazer voar a fantasia através das páginas do livro, as asas da borboleta. Então, a cada leitura, o leitor já não será o mesmo!
Vale a pena pensar nisto...

16 de fevereiro de 2010

Biblioteca digital.

E se pudessemos ouvir um livro?
Aqui fica uma sugestão para hoje: O Pescador que Nunca Pescava Nada de Raffaello Bergonce. Visitem o site com os vossos filhos e deliciem-se com eles.

15 de fevereiro de 2010

A Camilo promove a leitura.

Emoções no feminino.

Cartas de Amor de Grandes Mulheres
Um livro da Bertrand Editora de cartas de amor, de sentimentos e emoções expressos numa linguagem cuidada e rebuscada, que é bom conhecer nesta época de namoros fast food e de declarações de amor por e-mail, sms ou via net.

13 de fevereiro de 2010

O Segredo é amar...


O segredo é amar por mil razões e sem razão.

Amar, só por amar(...)

Viver em cada instante a eternidade.


Fernanda de Castro, in Poesia I

Todas as cartas de amor são ridículas.

Todas as cartas de amor são ridículas.

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos

Sugestão do mês de Fevereiro

O Velho que Lia Romances de Amor uma obra do chileno Luís Sepúlveda, publicada em 1989, que narra a aventura de António José Bolívar Proaño, protagonista desta história e aficionado leitor de romances de amor.

12 de fevereiro de 2010

O que interessa mais que tudo é ensinar a ler!

A primeira condição para ler bem consiste em estar com disposição, ter o espírito e o coração abertos. É impossível penetrar no pensamento do autor e saborear o encanto da sua obra, se não nos deixarmos dominar pela leitura.

O acto de ler

Tempos houve em que a leitura de um livro era um prazer inestímável. Para grande número de homens que pensavam ser a existência mais alguma coisa que a ociosa contemplação dos objectos, ler equivalia a assistir, vamos lá, a um bom espectáculo. sabia-se escolher os bons autores, não se andava atrás de uma fama provisória e lorpa, que a publicidade engendra.
O cinema, o futebol e a televisão ocupam actualmente a maior parte das horas do ócio dos nossos cidadãos. Um livro é, portanto, considerado um objecto de luxo para muitas pessoas, só se usando nas praias ou nas termas, à frente dos outros, ou para provocar mais depressa o sono.
Antunes da Silva - Uma Pinga de Chuva

9 de fevereiro de 2010

Inconcebível!

Leiam esta notícia chocante sobe a destruição de parte do nosso espólio literário. Realmente, inconcebível!

8 de fevereiro de 2010

Poesia também é vida!



No passado dia 5 de Fevereiro, aconteceu poesia na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, no âmbito do PNL Ler+ Novas Oportunidades.
O público foi brindado com a presença do "trovador" Ivo Machado e do "dizeur" António Sousa.
E, como "uma imagem vale mais do que mil palavras", as palmas que se vêem na fotografia retratam o entusiasmo partilhado... melhor que qualquer legenda.
Obrigado e parabéns.

7 de fevereiro de 2010

Pelo sonho é que vamos...

Faleceu em 1952 neste dia o poeta Sebastião da Gama. Poeta e professor português, a sua obra encontra-se ligada à Serra da Arrábida, onde vivia e que tomou por motivo poético de primeiro plano (desde logo no seu livro de estreia, Serra-Mãe, de 1945), e à sua tragédia pessoal motivada pela tuberculose.
O seu Diário, editado postumamente em 1958, é um interessantíssimo testemunho da sua experiência como docente e uma valiosa reflexão sobre o ensino.

5 de fevereiro de 2010

A leitura é um enlace entre dois mistérios: o do autor e o do leitor

É hoje o recital de poesia organizado pela equipa do CNO no âmbito do seu Plano de Actividades para o projecto Novas Oportunidades a LER+.
Contamos consigo mais logo...