Tempos houve em que a leitura de um livro era um prazer inestímável. Para grande número de homens que pensavam ser a existência mais alguma coisa que a ociosa contemplação dos objectos, ler equivalia a assistir, vamos lá, a um bom espectáculo. sabia-se escolher os bons autores, não se andava atrás de uma fama provisória e lorpa, que a publicidade engendra.
O cinema, o futebol e a televisão ocupam actualmente a maior parte das horas do ócio dos nossos cidadãos. Um livro é, portanto, considerado um objecto de luxo para muitas pessoas, só se usando nas praias ou nas termas, à frente dos outros, ou para provocar mais depressa o sono.
Antunes da Silva - Uma Pinga de Chuva
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